瞒
História e explicação do caractere
No cotidiano chinês, 瞒 é amplamente usado em situações de conflito ético: filhos escondem notas ruins dos pais (瞒着父母), funcionários omitem erros no trabalho (瞒报), e autoridades encobrem incidentes (瞒情不报). Expressões fixas como 瞒天过海 ('enganar o céu e atravessar o mar') são provérbios clássicos que descrevem fraudes elaboradas. Documentos oficiais do governo frequentemente condenam '瞒报事故' (ocultação de acidentes), evidenciando seu uso regulatório e jurídico consolidado desde os anos 2000.
Originado na escrita selo antiga, 瞒 não é pictográfico direto, mas um fonético-semântico: o radical 目 indica ligação com percepção (olhar, ver), enquanto o componente 满 fornece som e sugere plenitude — como se a visão do outro fosse 'preenchida' por uma fachada, impedindo a percepção da verdade. Essa composição reflete uma concepção cultural antiga: ocultar envolve manipular o campo perceptivo alheio.
O caractere 瞒 (mán) pertence ao nível HSK 6, indicando seu uso avançado e frequente em contextos formais, literários ou de nuances éticas. Ele expressa a ação intencional de ocultar informação de alguém — não apenas guardar segredo, mas fazer isso de forma deliberada e, muitas vezes, com conotação negativa, como engano ou dissimulação. Sua estrutura combina o radical 目 (olho), sugerindo percepção visual, com o componente 满 (mǎn, 'cheio'), que aqui atua foneticamente, mas também evoca a ideia de 'preencher' ou 'saturar', como se a verdade fosse suprimida por uma camada de aparência.
A pronúncia mán é tonal (2ª tônica), exigindo atenção na entonação ascendente para evitar confusão com homófonos como 蛮 (bárbaro) ou 蔓 (videira). Em frases, 瞒 é quase sempre transitivo direto, exigindo um objeto indireto (de quem se esconde algo), geralmente introduzido por 对 ou 向. Não se usa isoladamente: sua força reside na construção verbal, especialmente em estruturas como 瞒着… (esconder de…), muito comum em narrativas e diálogos cotidianos.
Embora não seja um verbo de uso diário como 知道 ou 说, 瞒 aparece com frequência em textos jornalísticos sobre corrupção, romances psicológicos e discursos éticos, onde a intenção de dissimular é central. Seu emprego revela uma avaliação moral implícita: ocultar algo de outrem implica desconfiança, culpa ou poder assimétrico. Por isso, é raro em contextos neutros — mesmo em piadas ou ficção leve, carrega um peso semântico de tensão relacional.
Frases de exemplo
Palavras compostas
Caracteres similares — não os confunda
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